2 de novembro de 2009

Viver sem tempos mortos - Simone de Beauvoir

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Referência:

Viver sem tempos mortos. Direção: Felipe Hirsch. Texto: baseado nos escritos de Simone de Beauvoir. Atriz: Fernanda Montenegro. Peça apresentada no Teatro Fashion Mall, Rio de Janeiro, em outubro de 2009.

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Comentários:

Entrei muito suspeita com a interpretação minimalista. Fernanda chega, senta na cadeira no meio do palco e conta a história de Simone como sua. Só quando percebi que 1 hora tinha passado como se fossem 5 minutos é que me dei conta de quanto estava hipnotizada por ela e pela história. Bom, eu amei! ;o)

E anotei algumas frases que me tocaram.

OBS:
(1) Coloquei o nome de Miss de Beauvoir no título deste post pq, em princípio, as frases são dos textos dela...
(2) Dois posts no mesmo dia na tentativa de compensar a minha ausência em outubro. Foi mês de muuuuiiiito trabalho!

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Trechos selecionados:

"O mundo, por um instante, é exatamente o que meu coração pede."

"Nada é mais difícil que entregar-se ao instante. Esta dificuldade é dor humana, nossa. Eu me entrego em palavras."

"Somo todos mortais e patéticos. {pequena pausa) O choque dessa frases só mostra como somos patéticos."



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O Burguês Fidalgo - Molière

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Referência:

Molière. O Burguês Fidalgo. Tradução: Octavio Mendes Cajado. São Paulo: Abril Cultural, 1983.

ATENÇÃO! Este mesmo livro também contém as obras "Escola de Mulheres", trad. Millôr Fernandes (é a mesma obra, mas não é a mesma referência do post anterior), e "Tartufo", trad. de Jacy Monteiro.

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Comentário:

Título original: Le Bourgeois Gentilhomme. A peça foi escrita cerca de 4 anos antes da morte de Molière (no livro "Mestres do teatro I, John Gassner não dá o ano exato", por isso o "cerca de").

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Personagens dos trechos selecionados:

Sr. Jourdain é o burguês que quer se tornar culto como os nobre para conquistar uma moça bem mais jovem, apesar de ele ser casado. Para isso, ele contrata o Mestre da Dança e o Mestre da Música.

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Trechos selecionados:

Os Mestres conversam enquanto aguardam Sr. Jourdain para início de mais uma aula.

"Mestre da Música:
É certo que entende pouco, mas paga bem; e disso necessitam muito mais agora nossas artes que de qualquer outra coisa.

Mestre da Dança:
Quanto a mim, confesso-o, também me alimento um pouco de glória; enternecem-se os aplausos; e sou de parecer que em todas as belas artes, é um doloroso suplício exibir-se a gente aos tolos, e submeter composições à barbária de um estúpido. Não queira negar que há prazer em trabalhar para pessoas capazes de sentir a delicadeza de uma arte, de acolher com agrado as belezas de uma obra, e de premiar-nos o trabalho com lisonjeiras aprovações. (...)"
(pgs. 292 e 293)


[cada mestre quer mostrar que sua arte é a mais importante - música e dança]

"Sr. Jourdain:
Como assim?

Mestre da Música:
Não provém a guerra de uma falta de união entre os homens?

Sr. Jourdain:
É verdade.

Mestre da Música:
Ora, se todos os homens aprendessem música, não seria esse o meio de se acordarem eles, estabelecendo no mundo a paz universal?

Sr. Jourdain:
Tens razão.

Mestre da Dança:
Quando um homem comete um erro na vida, seja em negócios da família, seja no governo de um Estado, seja no comando de um Exército, não se diz sempre: 'Aquele sujeito deu um mau passo em tal negócio?'

Sr. Jourdain:
Sim, é o que se diz.

Mestre da Dança:
E dar um mau passo pode provir de outra coisa que do não saber dançar?

Sr. Jourdain:
Isso é verdade, ambos têm razão.

Mestre da Dança:
Só queremos mostrar-lhe a excelência e a utilidade da dança e da música."
(pgs. 300 e 301)

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7 de setembro de 2009

Orgulho e Preconceito - 2 de X

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Referência:

AUSTEN, Jane. Orgulho e Preconceito. Tradução: Lúcio Cardoso. Coleção Grandes Sucessos. São Paulo: Abril Cultural, 1982.

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Comentário:

Muitos trabalhos me impedem de postar o que tenho lido e a pilha está aumentandooo! Mas o feriadão ajuda a tirar o atraso.

Mais sobre o livro, no post anterior: aqui!

Estou pensando em reorganizar os posts de O&P por temática... que tal?

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Trechos selecionados:

[O que está entre colchetes são explicações minhas!]


[No primeiro baile, Mr. Bingley insiste que Mr. darcy dance e sugere Lizzy Bennet como par. Sobre ela e em resposta:]
[MR. Darcy] - É tolerável, mas não tem beleza suficiente para tentar-me. Não estou disposto agora a dar atenção a moças que são desprezadas pelos outros homens. É melhor você voltar ao seu par e se deliciar com os sorrisos dela, pois está perdendo seu tempo comigo.
(pg. 15)

[a autora descrevendo as irmãs de Mr. Bingley]
"...tinham portanto as aptidões necessárias para pensar bem de si mesmas e mediocremente dos outros. Provinham de uma família respeitável do norte da Inglaterra, coisa que guardavam mais profundamente impressa em sua memória do que o fato de sua fortuna, bem como a do irmão, ter sido adquirida no comércio."
(pg. 19)
Obs: Não acrescentei vírgulas, deixei como está no livro.

[a autora descreve o que Mr. Darcy achava da irmã de Lizzy, Jane Bennet, pretendente do amigo, Mr. Bingley]
"Reconhecia que Miss Bennet era bonita, embora sorrisse demais."
(pg. 20)

[Ainda sobre o 1º baile... sobre as críticas de Mr. Darcy que Lizzy ouviu sem querer. Falam Mrs. Bennet, Lizzy e Miss. Charlotte Lucas]
- Se eu fosse você, Lizzy - disse a mãe -, na próxima vez me recusaria a dançar com ele.
- Creio que posso lhe prometer com segurança que nunca dançarei com ele.
- O orgulho dele não me ofende tanto - disse Miss Lucas - como o orgulho em geral, porque existe um motivo. Não é de admirar que um rapaz tão distinto, com familia, fortuna, tudo a seu favor, tenha de si mesmo uma alta opinião. Se posso exprimir-me assim, ele tem o direito de ser orgulhoso.
- Isto é bem verdade - replicou Elizabeth -, e eu perdoaria facilmente o seu orgulho se ele não tivesse mortificado o meu.
(pgs. 22 e 23)

[Miss Charlotte Lucas para Lizzy]
"... Existe tanta gratidão e vaidade em quase todas as afeições que é perigoso abandoná-las à sua sorte - todos podemos começar livremente, uma ligeira preferência é bastante natural, mas são poucos os que têm o coração bastante firme para amar sem receber alguma coisa em troica. Em noventa por cento dos casos, uma mulher deve mostrar mais afeição do que realmente sente.(...)"
(pgs. 24 e 25)


[a autora descrevendo a decisão das irmãs Jane e Lizzy bennet de irem embora da casa dos Bingley e voltarem para casa, pois Jane já estava melhor de saúde]
"A notícia arrancou muitos protestos de pura formalidade. E tanto insistiram para que as moças ficassem ao menos até o dia seguinte, que Jane cedeu. E a partida foi adiada para a manhã seguinte. Miss Bingley se arrependeu de ter feito semelhante proposta, pois o ciúme e a antipatia que tinha por uma das irmãs excedia muitíssimo a afeição que tinha pela outra."
(pg. 59)

[Mr. Bennet é chamado pela esposa para fazer a filha Lizzy mudar de idéia e aceitar o pedido de casamento do Mr. Collins, homem que pai e filha desprezavam]
"- Você está diante de uma alternativa difícil, Elizabeth. De hoje em diante você terá que se tornar uma estranha para um de seus pais. Sua mãe nunca mais olhará para você se não se casar com Mr. Collins. E eu nunca mais a verei se você se casar."
(pg. 106)

[a autora, sobre o momento que se seguiu à recusa de Lizzy à proposta de casamento de Mr. Collins]
"Enquanto isto, Mr. Collins meditava, na solidão, sobre o que tinha acontecido. Ele possuía uma opinião desmasiado alta de si mesmo para compreender o motivo por que a prima o recusava."
(pg. 107)

"-Então, Lizzy - disse ele um dia -, sua irmã teve um desgosto amoroso, creio eu. Ela merece meus parabéns. Depois do casamento, o que uma moça mais aprecia é um desgosto amoroso de vez em quando. É uma coisa que dá o que pensar e lhe confere uma espécie de distinção entre as companheiras. Quando chegará a sua vez? Você não há de querer ser suplantada por Jane. Chegou a sua hora. Há bastante oficias em Meryton, para desapontar todas as moças da região. Escolha Wickham. É um sujeito simpático e lhe daria o fora agradavelmente."
(pg. 129)

[Lady Catherine de Bourgh questionando Lizzy em um jantar em Rosings]
- O quê? As cincos de uma vez? É muito estranho. E você é apenas a segunda! As mais moças já frequentam a sociedade antes de as mais velhas se casarem! Suas outras irmãs são muito moças?
- A mais moça ainda não fez dezesseis anos. talvez seja um pouco cedo demais para fazer vida social. Mas realmente, minha senhora, acho que seria uma crueldade recusar-lhes a sua parte de distrações e sociedade só porque a mais velha não teve os meios ou a inclinação para se casar mais cedo. As mais moças têm os mesmos direitos aos prazeres da mocidade que as mais velhas. E trancá-las em casa creio que não seria um bom meio de promover a feição fraternal ou a delicadeza de sentimentos.
- Sob minha palavra - disse Lady Catherine -, você dá sua opinião muito decididamente para uma pessoa de tão pouco idade. Diga-me, quantos anos tem?
- Com três irmãs mais moças já crescidas - replicou Elizabeth -, Vossa Senhoria não pode esperar que eu lhe dê uma resposta.
Lady Catherine pareceu ficar atônita com a resposta e Elizabeth suspeitou que ela tinha sido a primeira pessoa que já ousara fazer pouco de uma tão pomposa impertinência.
- Você não pode ter mais de vinte anos, portanto não precisa esconder a idade.
- Ainda não fiz vinte e um anos."
(pgs. 153 e 154)
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