16 de dezembro de 2008

Laranja Mecânica (filme)

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Referência:

Laranja Mecânica (Clockwork Orange). Direção: Stanley Kubrick. Roteiro: Stanley Kubrick. Baseado no livro homônimo de Anthony Burgess. Estados Unidos, 1971.

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Comentário:

Violento e coloridíssimo. Intrigante, inteligente. Mas pra mim, só dá pra ver uma vez... não sou muito afeita às questões de violência física ou psicológica gratuita, que é exatamente o tema do filme.

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Trechos selecionados:

Padre (na prisão):
"A questão é se essa técnica [de Ludovico] faz o homem realmente ficar bom. A bondade vem de dentro. A bondade é escolhida. Quando um homem não pode escolher, deixa de ser homem".

Ludovico:
"Vejam bem, senhoras e senhores, o paciente é impelido para o bem paradoxalmente por ser impelido para o mal"

Padre (para Ludovico):
"Escolha. Ele não tem escolha, certo? O interesse próprio, o medo da dor física levaram-no a este grotesco ato de humilhação. (...) Ele deixa de ser um malfeitor, mas deixa também de ser uma criatura capaz de escolhas morais!"

Ludovico (para padre):
"Padre, isso são sutilezas! Não estamos preocupados com motivos, com éticas elevadas, mas apenas com a diminuição da criminalidade e com a solução para a superlotação de nossas prisões."

Frank (na casa de campo):
"Sua plataforma é o modo como vem lidando com a crime nos últimos meses: recrutando jovens violentos para a polícia e propondo técnicas destrutivas de condicionamento. Já vimos isso acontecer em outros países. É a ponta do iceberg. Quando nos dermos conta, o regime totalitário estará em pleno vigor."
(...)

"O povo renuncia a ela. Vendem a liberdade por um vida tranqüila."






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2 de dezembro de 2008

Fedra

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Referência:

Versão digitalizada e disponível em: http://www.ebooksbrasil.org/eLibris/fedra.html

RACINE, Jean Baptiste. Fedra. Tradução: Sebastião Francisco de Mendo Trigoso. In: Teatro Francês. Coleção Clássicos Jackson. Vol. XXVIII. Rio de Janeiro: Editora W. M. Jackson Inc., 1950.

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Comentário:

Racine buscou uma história da mitologia greco-romana e a reescreveu, mas com foco em Fedra, personagem que dá nome à sua obra, como que contando o "lado dela" da história. Não sei exatamente qual o mito (seria de Hipólito?).

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Trechos selecionados:

Arícia:
Mais soberba, desprezo a fácil glória
D'incensos, a mil outras ofertados
D'entrar num coração patente de todas.
Domar, porém um ânimo inflexível,
Levar a dor a uma alma que não a sente,
Ter um cativo, atônito dos ferros
Contra um jugo que apraz em vão rebelde;
Eis meu gosto, só isto m'estimula.
(pgs. 11 e 12)

Hipólito:
Minha vida observai, e quem sou vede.
Alguns crimes precedem grandes crimes.
Quem da virtude transgrediu a meta,
Por fim quebra os direitos mais sagrados.
Como a virtude, tem degraus o vício;
Jamais se viu a tímida inocência
Passar dum salto à licença extrema;
Um mortal com virtude, só num dia
Não se torna assassino, incestuoso.
(pg. 25)

Enone:
Vós amais. Ninguém vence o destino.
Por encanto fatal foste arrastada.
Prodígio é este acaso nunca ouvido?
Só de vós o amor tem triunfado?
Natural aos mortais é a fraqueza.
Mortal, duma mortal sofreis a sorte.
Queixai-vos d'opressão já muito antiga.
Os deuses mesmo, que no Olimpo habitam,
Que são terríveis sobre os crimes troam,
Ilegítimo amor às vezes sentem.
(pg. 29)

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3 de novembro de 2008

Rei Lear

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Referência:

Shakespeare, William. Rei Lear. Tradução: Millôr Fernandes. Porto Alegre: L&PM, 2001.

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Comentário:

Um rei divide suas terras entre suas filhas para se aposentar e acaba descobrindo que o poder mostra a verdadeira face de cada um.

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Trechos selecionados:

Bobo (para Lear - cantando):
" Os bobos perdem o emprego // Pois os sábios vieram em bando // E como não têm juízo // Vivem nos macaqueando." (p. 32)

Bobo (para Lear): "Repartiste teu juízo à esquerda e à direita e acabste ficando sem nada no centro..." (p. 33)

Lear (para Kent): "...onde se alojou a dor maior mal se percebe a dor menor"
(...)
Lear (idem):"Quando a alma está em sossego, o corpo é mais sensível: a tempestade da minha alma apaga em meus sentidos toda outra sensação senão a que dói aqui." (p. 76)

Lear (conversando com Kent e Bobo): "Pompa do mundo, é este o teu remédio; expõe-te a ti mesmo no lugar dos desgraçados, e logo aprenderás a lhes dar o teu supérfluo, mostrando um céu mais justo" (p. 77)

Lear (sobre Edgar, que se apresenta como mendingo louco): "O homem é apenas isto? Observem-no bem. Não deve a seda ao verme, a pele ao animal, a lã à ovelha, nem seu odor ao almiscareiro. (...) O homem, sem os artifícios da civilização, é só um pobre animal como tu, nu e bifurcado." (ps. 79 e 80)


Gloucester a Edgar (achando que ele é um louco andarilho): "Céus, fazei sempre assim! Fazei com que o homem rodeado do supérfluo e saturado dos prazeres, que põe as vossas leis a seu serviço, e não quer ver porque não sente, sinta imediatamente o vosso poder; assim a distribuição destruiría o excesso e cada homem teria o necessário." (ps. 97 e 98)

Albânia (para a esposa Goneril): "Eu temo o teu caráter; um ser que despreza a própria origem não pode ser contido em nenhum limite." (p. 99)
(...)
Albânia (idem): "Sabedoria e bondade aos vis parecem vis. A imundície adora-se a si própria."


Rei Lear e Gloucester, quando G. revela que ficou cego!

Lear: "Como, estás louco? Mesmo sem olhos um homem pode ver como anda o mundo. Olha com as orelhas. Vê como aquele juiz ofende aquele humilde ladrão. Escuta com o ouvido, troca os dois de lugar, como pedras nas mãos; qual o juiz, qual o ladrão? (p. 113)

Lear: Já viste um cão da roça ladrar prum miserável? (...) E o pobre diabo correr do vira-latas? Pois tens aí a imponente imagem da autoridade; até um vira-lata é obedecido quando ocupa um cargo." (p.113)
(...)
Lear: "Oficial velhaco, suspende a tua mão ensangüentada! Por que chicoteias essa prostituta? Desnuda tuas próprias costas. Pois ardes de desejo de cometer com ela o ato pelo qual a chicoteias." (p.113)
(...)
Lear: "Cobre o crime com placas de ouro e, por mais forte que seja a lança da justiça, se quebra inofensiva. Um crime coberto de trapos a palha de um pigmeu o atravessa." (p. 113)


Lear (para Edgar):"Assim que nós nascemos, choramos por nos vermos neste imenso palco de loucos." (p. 114)


Edgar (para Edmundo): "Os deuses são justos, e nos castigam com nossos vícios mais doces." (p. 133, sobre o pai ter gerado um filho traidor a partir de um adultério)

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