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2 de novembro de 2009

Viver sem tempos mortos - Simone de Beauvoir

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Referência:

Viver sem tempos mortos. Direção: Felipe Hirsch. Texto: baseado nos escritos de Simone de Beauvoir. Atriz: Fernanda Montenegro. Peça apresentada no Teatro Fashion Mall, Rio de Janeiro, em outubro de 2009.

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Comentários:

Entrei muito suspeita com a interpretação minimalista. Fernanda chega, senta na cadeira no meio do palco e conta a história de Simone como sua. Só quando percebi que 1 hora tinha passado como se fossem 5 minutos é que me dei conta de quanto estava hipnotizada por ela e pela história. Bom, eu amei! ;o)

E anotei algumas frases que me tocaram.

OBS:
(1) Coloquei o nome de Miss de Beauvoir no título deste post pq, em princípio, as frases são dos textos dela...
(2) Dois posts no mesmo dia na tentativa de compensar a minha ausência em outubro. Foi mês de muuuuiiiito trabalho!

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Trechos selecionados:

"O mundo, por um instante, é exatamente o que meu coração pede."

"Nada é mais difícil que entregar-se ao instante. Esta dificuldade é dor humana, nossa. Eu me entrego em palavras."

"Somo todos mortais e patéticos. {pequena pausa) O choque dessa frases só mostra como somos patéticos."



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O Burguês Fidalgo - Molière

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Referência:

Molière. O Burguês Fidalgo. Tradução: Octavio Mendes Cajado. São Paulo: Abril Cultural, 1983.

ATENÇÃO! Este mesmo livro também contém as obras "Escola de Mulheres", trad. Millôr Fernandes (é a mesma obra, mas não é a mesma referência do post anterior), e "Tartufo", trad. de Jacy Monteiro.

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Comentário:

Título original: Le Bourgeois Gentilhomme. A peça foi escrita cerca de 4 anos antes da morte de Molière (no livro "Mestres do teatro I, John Gassner não dá o ano exato", por isso o "cerca de").

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Personagens dos trechos selecionados:

Sr. Jourdain é o burguês que quer se tornar culto como os nobre para conquistar uma moça bem mais jovem, apesar de ele ser casado. Para isso, ele contrata o Mestre da Dança e o Mestre da Música.

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Trechos selecionados:

Os Mestres conversam enquanto aguardam Sr. Jourdain para início de mais uma aula.

"Mestre da Música:
É certo que entende pouco, mas paga bem; e disso necessitam muito mais agora nossas artes que de qualquer outra coisa.

Mestre da Dança:
Quanto a mim, confesso-o, também me alimento um pouco de glória; enternecem-se os aplausos; e sou de parecer que em todas as belas artes, é um doloroso suplício exibir-se a gente aos tolos, e submeter composições à barbária de um estúpido. Não queira negar que há prazer em trabalhar para pessoas capazes de sentir a delicadeza de uma arte, de acolher com agrado as belezas de uma obra, e de premiar-nos o trabalho com lisonjeiras aprovações. (...)"
(pgs. 292 e 293)


[cada mestre quer mostrar que sua arte é a mais importante - música e dança]

"Sr. Jourdain:
Como assim?

Mestre da Música:
Não provém a guerra de uma falta de união entre os homens?

Sr. Jourdain:
É verdade.

Mestre da Música:
Ora, se todos os homens aprendessem música, não seria esse o meio de se acordarem eles, estabelecendo no mundo a paz universal?

Sr. Jourdain:
Tens razão.

Mestre da Dança:
Quando um homem comete um erro na vida, seja em negócios da família, seja no governo de um Estado, seja no comando de um Exército, não se diz sempre: 'Aquele sujeito deu um mau passo em tal negócio?'

Sr. Jourdain:
Sim, é o que se diz.

Mestre da Dança:
E dar um mau passo pode provir de outra coisa que do não saber dançar?

Sr. Jourdain:
Isso é verdade, ambos têm razão.

Mestre da Dança:
Só queremos mostrar-lhe a excelência e a utilidade da dança e da música."
(pgs. 300 e 301)

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25 de junho de 2009

Tartufo - Molière

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Referência:

Molière. Tartufo. Tradução: Jacy Monteiro. São Paulo: Abril Cultural, 1983.

ATENÇÃO! Este mesmo livro também contém as obras "Escola de Mulheres", trad. Millôr Fernandes (é a mesma obra, mas não é a mesma referência do post anterior), e "O Burguês Fidalgo", trad. de Octavio Mendes Cajado.

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Comentário:

Apesar do alarde, nem achei a melhor obra de Molière até agora (das que li). Por enquanto, é a mais crítica de forma evidente (acho que todas são críticas, mas algumas são mais debochadas... achei essa quase didática).

Este livro foi traduzido do original em francês, cujo título é " Le Tartuffe" (é de1664)e o nome verdadeiro de Molière era Jean-Baptiste Poquelin (1622-1672).

Possui notas - muito interessantes - de Robert Jouanny para a edição francesa de Éditions Garnier Frères.

CURIOSIDADES:

(1) Nas minhas aulas de teatro, soube que "Tartufo" foi censurada e por 6 anos não pôde ser encenada. Molière, que tinha formação como advogado, defendeu sua obra alegando que ela não criticava a fé, mas os maus religiosos. Mas a obra só foi "liberada" depois que ele mudou o final, introduziu o personagem "Senhor Leal" e mostrou o Rei(Luís XIV) como soberano justo que desmascara as falsidades.

(2) No livro "Mestres do Teatro I", John Gassner conta que Tartufo foi proibido pelo rei e que, após essa censura, Molière escreveu Don Juan, dando vida a uma "lenda" que existia desde a Idade Média. Ele faz considerações sobre a época:

"A França era varrida por uma reação contra a crescente vaga de ceticismo religiosos e científico. O pensamento liberal era denunciado pelas seitas religiosas, entre as quais as mais ativas eram os Jesuítas e os Janenistas. A devoção se transformava em moda e nem todas as suas manifestações eram desinteressadas e sinceras. (...) Custou ao autor ser acusado de ateu por aqueles cujas sensibilidades haviam sido ofendidas. (...) Insistiu que não havia atacado a religião e sim a forma pela qual podia ser usada para disfarçar o interesse próprio."

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Personagens dos trechos selecionados:

Orgon é o chefe de família que recebe Tartufo como hóspede em sua casa e fica cego com suas evocações religiosas.

Mariane é filha de Orgon.

Dorine é dama de companhia de Mariane, filha de Orgon.

Cléante é cunhado de Orgon.

Valère é o pretendente de Mariane.

Elmire é a segunda mulher de Orgon (ele é viúvo e bem mais velho que ela) e madrasta de Mariane e Damis.


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Trechos selecionados:


DORINE:
[para Senhora Pernelle, mãe de Orgon, sobre uma dama conhecida que ela cita]

"O exemplo é admirável e esta dama é boa! É verdade que vive como pessoa austera, mas foi a idade que lhe meteu na alma esse zelo ardente e sabe-se que é pudica contra a própria vontade. Enquanto pôde atrair as homenagens de muitos corações, gozou de todas as vantagens de que dispunha; vendo, porém, diminuir o brilho de seus olhos, propõe-se renunciar ao mundo que a abandona, mascarando a debilidade de seus atrativos já gastos com o véu pomposo de uma grande sabedoria. São essas as vicissitudes das coquetes do tempo. Para elas é duro ver os galantes baterem em retirada. Em tal abandono, a sombria inquietação não lhes concede outro recurso senão o de representar o papel de mulher pudica; e a severidade dessas mulheres de bem tudo censura e nada perdoa; censuram acerbamente a vida de qualquer um, não por caridade mas impelidas pela inveja, que não poderia permitir que outra gozasse dos prazeres, cujos desejos o declínio da idade já extinguiu."
(pgs. 17 e 18)


CLÉANTE:
[para Orgon, sobre os bons e honestos devotos]

"(...) neles não se vê esse fasto insuportável e a devoção deles é humana, é tratável; não se metem a censurar-nos todas as ações. Acham que é orgulho demasiado corrigir a todos e abandonando aos outros a arrogância das palavras, é com suas ações que procuram corrigir as nossas. Para eles a aparência do mal não tem grande importância e são levados sempre a pensar bem do próximo. Nada de intrigas, nada de conluios com eles. Sua única preocupação é procurar viver bem; nunca se escarniçam contra um pecador qualquer; odeiam somente o pecado e não pretendem esposar, com zelo extremo, os interesses do Céu mais do que o próprio Céu.(...)"
(pgs. 30 e 31)


DORINE:
[para Orgon, sobre ele querer forçar a filha a casar-se com Tartufo]

"(...) Saiba que se arrisca a virtude de uma moça quando se lhe contraria o gosto no casamento; que a intenção de viver honestamente depende das qualidades do marido que se lhe dá; e aqueles que, em toda parte, são apontados com o dedo, muitas vezes fazem das próprias mulheres o que elas são."
(pg. 42)


VALÈRE:
[para Mariane, achando que ela queria trocá-lo por Tartufo]

"(...) Coração que nos esquece nos lança um desafio e é preciso, para esquecê-lo, usar de todos os meios: se não se conseguir, deve-se pelo menos fingir. E não se perdoa nunca a covardia de demonstrar amor a quem nos abandona."
(pg. 59)


TARTUFO:
[para Elmire, quando ela finge gostar dele para desmascará-lo]

"Posso dissipar-lhe esses temores ridículos, minha senhora, pois conheço a arte de afastar os escrúpulos. De fato, o Céu proíbe certos contentamentos;(é um celerado que fala)* mas sempre se acha uma maneira de acomodar; conforme necessidades diversas, existe uma ciência destinada a estender os liames de nossa consciência e retificar o mal da ação com a pureza da intenção.(...)"

*trata-se de uma rubrica de Molière.

(pg. 109)

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26 de maio de 2009

Escola de Mulheres - seleção 2 de 2

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Referência:

Molière. Escola de Mulheres. Tradução: Millôr Fernandes. São Paulo: Círculo do Livro. (não tem data de publicação).

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Comentário:

Este livro foi traduzido do original em francês, cujo título é " Lécole des Femmes" e o nome verdadeiro de Molière era Jean-Baptiste Poquelin.

Arnolfo é um burguês esnobe e afetado. Ele tutela uma camponesa de origem pobre desde 6 anos de idade. Como parte de um plano para não ser corno, ele lhe garante uma educação bem porca, para que ela seja mesmo uma ignorante eternamente grata à condição social que tal casamento lhe traria. No entanto, a moça, Inês, se apaixona por um rapaz, Horácio.

Neste trecho, Arnolfo dá à Inês uma cartilha para que ela estude e se prepare para o casamento deles dois.

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Trechos selecionados:

"Inês (Lê.)
Lições do casamento ou os deveres da mulher casada. Com exercícios diários.

Primeira lição
A mulher que uma união legal
leva ao leito de um homem
não esqueça esta moral:
apesar do que se vê por aí,
o homem que a tomou,
tomou-a só pra si.

Segunda lição
Só se deve enfeitar
até onde o desejar
omarido que a sustenta;
pois só a ele interessa
sua pele lisa ou sardenta.
A uma esposa recomenda
que outros a achem horrenda.

Terceira lição
Longe expressões estudadas
óleos, pinturas, pomadas,
esses mil ingredientes
que fazem um rosto querido.
Usados diariamente
são drogas mortais pra honra:
esse sacrifício todo raramente é pro marido.

Quarta lição
Ao sair, como a virtude ordena,
deve esconder debaixo de um capuz
a indiscrição do olhar.
Para agradar totalmente ao marido
a ninguém mais deverá agradar.

Quinta lição
Fora dos que o marido convida,
não deve dar acolhida
nem receber mais ninguém.
Esses galanteadores
que só tratam com as senhoras
enfeitam muito os senhores.

Sexta lição
Dos homens, qualquer presente
tem que recusar, veemente.
Pois a época é safada:
ninguém dá por nada.

Sétima lição
Por mais que isso a aborreça
caneta, tinta e papel
deve tirar da cabeça.
A ignorância é um escudo.
Num lar realmente honrado
o marido escreve tudo.

Oitava lição
Jantar de muito talher
- em geral de caridade! -
corrompe sempre a mulher.
Deve pois ser proibido,
pois é lá que se conspira
contra a testa do marido.

Nona lição
Para a honra conservar
o jogo tem que evitar
como um defeito funesto,
pois o vício enganador
leva a mulher, muitas vezes,
a perder o jogo e o resto.

Décima lição
Não deve andar na roda
de piqueniques no campo
nem de festinhas da moda,
pois sabem os experientes
que todo esse circular,
de uma ou de outra maneira,
o marido é que vai pagar."

(pgs. 55 a 57)


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11 de maio de 2009

Escola de Mulheres - seleção 1 de 2

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Referência:

Molière. Escola de Mulheres. Tradução: Millôr Fernandes. São Paulo: Círculo do Livro. (não tem data de publicação).

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Comentário:

Gente, estou lendo Molière e ele é fantástico!!!! Engraçadíssimo e inteligentíssimo. Realmente é "O cara"!

Este livro foi traduzido do original em francês, cujo título é " Lécole des Femmes" e o nome verdadeiro de Molière era Jean-Baptiste Poquelin.

Arnolfo é um velho que decide casar com uma camponesa pobre bem mais nova que ele. Como costume da época (provavelmente a peça é de 1662), Arnolfo teria se oferecido para tutelar a jovem Inês, dando-lhe moradia e educação, mas ele tb a mantém isolada da sociedade para garantir sua ingenuidade e pureza.

Crisaldo é um vizinho.

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Trechos selecionados:

Arnolfo [p/ Crisaldo]:
"... Acho que no teu casamento você encontra motivos para recear pelo meu. Na tua cabeça, é evidente, existe a certeza de que os chifres são o adorno infalível de qualquer matrimônio.

Crisaldo:
São acidentes contra os quais ninguém está garantido; e quem se preocupa com isso não passa de um idiota."
(págs. 7 e 8)


Arnolfo:
"... mas uma mulher esperta é mau presságio; eu sei o que custou a alguns casarem com mulheres cheias de talentos; me caso com uma intelectual, interessada aprenas em conversas de alcova, escrevendo maravilhas em prosa e verso, freqüentada por marqueses e gente de espírito, e fico sendo apenas o marido de madame, discreto a um canto, como um santo sem crentes. Não, não. Agradeço esses espíritos cheios de sutilezas. Mulher que escreve sabe mais do que é preciso."
(pg 10)



Crisaldo:
"Que absurdo; abandonar o nome dos pais e adotar outro, baseado apenas em quimeras. Muita gente hoje em dia não resiste a isso, e - sem que haja no que conto qualquer comparação - conheço um tipo chamado Pedroso que, nada tendo de seu além de um pequeno quintal, mandou abrir uma vala em volta dele e passou a se chamar pelo nome pomposo de Barão da Ilha."
(pg. 14)


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10 de maio de 2009

Hamlet - seleção 4 de 4

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Referência:

Shakespeare, William. Hamlet. Tradução: Millôr Fernandes. Porto Alegre: L&PM, 2007.

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Comentário:

A fina ironia de Shakespeare caçoando dos puxa-sacos do Rei!

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Trechos selecionados:

"Polônio: Meu Princípe, a Rainha gostaria de lhe falar. E imediatamente.

Hamlet: Estás vendo aquela nuvem ali, quase em forma de camelo?

Polônio: Pela santa missa, eu diria que é um exato camelo.

Hamlet: Pois me parece mais um esquilo.

Polônio: É; tem a corcova de um esquilo.

Hamlet: Ou será uma baleia?

Polônio: É! Uma perfeita baleia.

Hamlet: Então vou ver minha mãe agora mesmo. (À parte) Brincam comigo até onde eu aguente. (Aos outros) Eu volto logo."

(pág. 83)


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Hamlet - seleção 3 de 4

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Referência:

Shakespeare, William. Hamlet. Tradução: Millôr Fernandes. Porto Alegre: L&PM, 2007.

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Comentário:

Frases famosas! A última citação não é famosa, mas eu gosto! ;o)


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Trechos selecionados:

"Há mais coisas no céu e na terra, Horácio,
Do que sonha a tua filosofia."
(pág. 40)


"Ser ou não ser - eis a questão.
Será mais nobre sofrer na alma
Pedradas e flechadas do destino feroz
Ou pegar em armas contra o mar de angústias -
E, combatendo-o, dar-lhe fim? Morrer; dormir;
Só isso. E com o sono - dizem - extinguir
Dores do coração e as mil mazelas naturais
A que a carne é sujeita; eis uma consumação
Ardentemente desejável. Morrer - dormir -
Dormir! Talvez sonhar. Aí está o obstáculo!
Os sonhos que hão de vir no sono da morte
Quando tivermos escapado ao tumulto vital
Nos obrigam a hesitar: e é essa reflexão
Que dá à desventura uma vida tão longa.
Pois quem suportaria o açoite e os insultos do mundo,
A afronta do opressor, o desdém do orgulhoso,
As pontadas do amor humilhado, as delongas da lei,
A prepotência do mando, e o achincalhe
Que o mérito paciente recebe dos inúteis,
Podendo, ele próprio, encontrar seu repouso
Com um simples punhal? Quem agüentaria fardos,
Gemendo e suando numa vida servil,
Senão porque o terror de alguma coisa após a morte -
O país não descoberto, de cujos confins
Jamais voltou nenhum viajante - nos confunde a vontade,
Nos faz preferir e suportar os males que já temos,
A fugirmos pra outros que desconhecemos?
E assim a reflexão faz de todos nós covardes.
E assim o matiz natural da decisão
Se transforma no doentio pálido do pensamento.
E empreitadas de vigor e coragem,
Refletidas demais, saem de seu caminho,
Perdem o nome de ação."
(pág. 67)


"Ó, coração, não esquece tua natureza; não deixa
Que a alma de Nero entre neste peito humano.
Que eu seja cruel, mas não desnaturado.
Minhas palavras serão punhais lançados sobre ela;
Mas meu punhal não sairá do coldre.
Que, neste momento, minha alma e minha língua sejam hipócritas;
Por mais que as minhas palavras transbordem em desacatos
Não permita, meu coração, que eu as transforme em atos!"
(pág. 83

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8 de maio de 2009

Hamlet - seleção 2 de 4

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Referência:

Shakespeare, William. Hamlet. Tradução: Millôr Fernandes. Porto Alegre: L&PM, 2007.

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Comentário:

Hamlet é o príncipe da Dinamarca e Polônio é um camarista do Rei (e um tremendo puxa-saco).


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Trechos selecionados:

Hamlet (a Polônio, se referindo aos atores):"... É preferível você ter um mau epitáfio depois de morto do que ser difamado por ele, enquanto vivo."
(pg. 62)


"Hamlet:...
Não é monstruoso que esse ator aí,
Por uma fábula, uma paixão fingida,
Possa forçar a alma a sentir o que ele quer,
De tal forma que seu rosto empalidece,
Tem lágrimas nos olhos, angústia no semblante,
A voz trêmula, e toda sua aparência
Se ajusta ao que ele pretende? E tudo isso por nada!"
(pg. 63)

"... Ouvi dizer
Que certos criminosos, assistindo a uma peça,
Foram tão tocados pelas sugestões das cenas,
Que imediatamente confessaram seus crimes;
Pois embora o assassinato seja mudo,
Fala por algum órgão misterioso. (...)"
(pág. 64)

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23 de abril de 2009

Hamlet - seleção 1 de 4

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Referência:

Shakespeare, William. Hamlet. Tradução: Millôr Fernandes. Porto Alegre: L&PM, 2007.

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Comentário:
Cada vez que releio descubro mais sobre a obra e entendo melhor porque fez (faz) sucesso por tanto tempo! ;o)

OBS: Polônio é um Lord camarista do Rei, pai de Laertes e Ofélia.

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Trechos selecionados:

"Polônio:
Ainda aqui, Laertes! Já devia estar no navio, que diabo!
O vento já sopra na proa de teu barco;
Só esperam por ti. Vai, com a minha benção, vai!
(Põe a mão na cabeça de Laertes.)
E trata de guardar estes poucos preceitos:
Não dá voz ao que pensares, nem transforma em ação um pensamento tolo.
Amistoso, sim, jamais vulgar.
Os amigos que tenhas, já postos à prova,
Prende-os na tua alma com grampos de aço;
Mas não caleja a mão festejando qualquer galinho implume
Mal saído do ovo. Procura não entrar em nenhuma briga;
Mas, entrando, encurrala o medo no inimigo,
Presta ouvido a muitos, tua voz a poucos.
Acolhe a opinião de todos - mas você decide.
Usa roupas tão caras quanto tua bolsa permitir,
Mas nada de extravagâncias - ricas, mas não pomposas.
O hábito revela o homem,
E, na França, as pessoas de poder ou posição
Se mostram distintas e generosas pelas roupas que vestem.
Não empreste nem peça emprestado:
Quem empresta perde o amigo e o dinheiro;
Quem pede emprestado já perdeu o controle de sua economia.
E, sobretudo, isto: sê fiel a ti mesmo.
Jamais serás falso pra ninguém
Adeus. Que minha bênção faça estes conselhos frutificarem em ti."
(pgs. 29 e 30)


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16 de abril de 2009

Central Park West

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Referência:


ALLEN, Woody. Central Park West. In: Adultérios. Tradução: Cássia Zanon. Porto Alegre, RS: L&PM Pocket, 2007.

P.S.: Tradução de "Three one-act-plays", acho que de 1974.

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Comentário:


Esta é a terceira peça do livro (são três). Já postei trechos da primeira e da segunda.

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Trechos selecionados:


"Carol: Qual foi o motivo que ele deu?

Phyllis: Que ele não me ama mais... não gosta de ficar perto de mim... que fica com falta de ar de se imaginar passando de novo pela triste coreografia de fazer sexo comigo. Esses são os vagos motivos que ele dá, mas acho que só está sendo educado. Na verdade, acho que ele não gosta da minha comida."
(pg. 131)


"Phyllis: Ela vai deixar você. Vai embora com outro homem.

Howard: Como assim?

Phyllis: Assim, você dançou... acabou a mulherzinha... ela está dando para o meu marido há três anos e vai ficar com ele.

Carol (a Phyllis): Você é destestável.

Phyllis: Estou mentindo? Feche a bioca, Howard.

Howard: Isso é verdade, Carol?

Carol: Sam e eu nos apaixonamos... não queríamos magoas ninguém.

Howard (sentando-se lentamente): N-não... claro que não.

Phyllis: Meu Deus, você não vai ficar bravo?

Howard: Para quê? Isso não vai desfazer as coisas.

Phyllis: Há um momento para ser racional, e um momento para perder as estribeiras... eu deixo as facas de carne na cozinha."
(pgs 150 e 151)


"Phyllis: Que loucura é esta? Estou sendo penalizada por todo mundo porque sou um sucesso? Minha irmã, meus amigos, meus maridos...

Howard: As pessoas nunca nos odeiam pelas nossas fraquezas... elas nos odeiam pelos nossos pontos fortes."
(pg. 178)



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15 de abril de 2009

Bloqueio Criativo - Riverside Drive

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Referência:


ALLEN, Woody. Bloqueio Criativo. Riverside Drive. In: Adultérios. Tradução: Cássia Zanon. Porto Alegre, RS: L&PM Pocket, 2007.

P.S.: Tradução de "Three one-act-plays", acho que de 1974.

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Comentário:


É a primeira peça do livro (são três). Já postei trechos da segunda peça também. Confira aqui!

OBS: Fiquei fora me março viajando pelo mundo. Estou de volta! ;o)

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Trechos selecionados:


"Jim: Fred, não vou matá-la.

Fred: Não vai?

Jim: É algo psicótico... você é psicótico.

Fred: E você é só neurótico... de modo que tenho muito a ensinar. Sou hierarquicamente superior a você."
(pg. 52)


"Jim: Olhe aqui, não estou dizendo que não estou numa situação terrivelmente complicada. Não estou dizendo que não teria sorte se a Barbara... Se ela...

Fred: Pode dizer.

Jim: Morresse. Mas ela é um ser humano.

Fred: Você diz isso como se fosse uma coisa boa."
(pg. 59)

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17 de fevereiro de 2009

Bloqueio Criativo - Old Saybrook

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Referência:


ALLEN, Woody. Bloqueio Criativo. Old Saybrook. In: Adultérios. Tradução: Cássia Zanon. Porto Alegre, RS: L&PM Pocket, 2007.

P.S.: Tradução de "Three one-act-plays", acho que de 1974.

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Comentário:


É a segunda peça de teatro do livro (são três). Acho que a tradução não está muito boa... mas, enfim! Adoro esse cinismo sarcástico.

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Trechos selecionados:


[sobre a reação de sua mulher ao descobrir que ele a traía]
"MAX: Tentou se afogar. Correu para o mar, mas tudo o que conseguiu foi ser queimada por uma água-viva. Ficou com os lábios inchados. De repente, com aqueles lábios inchados, ela ficou sexy, e eu voltei a me apaixonar. Claro que quando os lábios desincharam, ela voltou a me deixar irritado." (pg. 109)

"HAL: Ah, por favor, não é preciso ser príncipe para sofrer... há milhões de pessoas por aí que são torturadas como Hamlet. São Hamlet tomando Prozac."(pg. 113)

"SANDY: Mas qual a diferença entre perdoar e simplesmente varrer todos os problemas para debaixo do tapete?
MAX: Perdoar é muito mais magnânimo... é preciso ser uma pessoa generosa... o perdão é divino.
JENNY: E talvez seja a mesma coisa, mas parece melhor."
(pg. 114)


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2 de dezembro de 2008

Fedra

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Referência:

Versão digitalizada e disponível em: http://www.ebooksbrasil.org/eLibris/fedra.html

RACINE, Jean Baptiste. Fedra. Tradução: Sebastião Francisco de Mendo Trigoso. In: Teatro Francês. Coleção Clássicos Jackson. Vol. XXVIII. Rio de Janeiro: Editora W. M. Jackson Inc., 1950.

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Comentário:

Racine buscou uma história da mitologia greco-romana e a reescreveu, mas com foco em Fedra, personagem que dá nome à sua obra, como que contando o "lado dela" da história. Não sei exatamente qual o mito (seria de Hipólito?).

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Trechos selecionados:

Arícia:
Mais soberba, desprezo a fácil glória
D'incensos, a mil outras ofertados
D'entrar num coração patente de todas.
Domar, porém um ânimo inflexível,
Levar a dor a uma alma que não a sente,
Ter um cativo, atônito dos ferros
Contra um jugo que apraz em vão rebelde;
Eis meu gosto, só isto m'estimula.
(pgs. 11 e 12)

Hipólito:
Minha vida observai, e quem sou vede.
Alguns crimes precedem grandes crimes.
Quem da virtude transgrediu a meta,
Por fim quebra os direitos mais sagrados.
Como a virtude, tem degraus o vício;
Jamais se viu a tímida inocência
Passar dum salto à licença extrema;
Um mortal com virtude, só num dia
Não se torna assassino, incestuoso.
(pg. 25)

Enone:
Vós amais. Ninguém vence o destino.
Por encanto fatal foste arrastada.
Prodígio é este acaso nunca ouvido?
Só de vós o amor tem triunfado?
Natural aos mortais é a fraqueza.
Mortal, duma mortal sofreis a sorte.
Queixai-vos d'opressão já muito antiga.
Os deuses mesmo, que no Olimpo habitam,
Que são terríveis sobre os crimes troam,
Ilegítimo amor às vezes sentem.
(pg. 29)

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3 de novembro de 2008

Rei Lear

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Referência:

Shakespeare, William. Rei Lear. Tradução: Millôr Fernandes. Porto Alegre: L&PM, 2001.

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Comentário:

Um rei divide suas terras entre suas filhas para se aposentar e acaba descobrindo que o poder mostra a verdadeira face de cada um.

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Trechos selecionados:

Bobo (para Lear - cantando):
" Os bobos perdem o emprego // Pois os sábios vieram em bando // E como não têm juízo // Vivem nos macaqueando." (p. 32)

Bobo (para Lear): "Repartiste teu juízo à esquerda e à direita e acabste ficando sem nada no centro..." (p. 33)

Lear (para Kent): "...onde se alojou a dor maior mal se percebe a dor menor"
(...)
Lear (idem):"Quando a alma está em sossego, o corpo é mais sensível: a tempestade da minha alma apaga em meus sentidos toda outra sensação senão a que dói aqui." (p. 76)

Lear (conversando com Kent e Bobo): "Pompa do mundo, é este o teu remédio; expõe-te a ti mesmo no lugar dos desgraçados, e logo aprenderás a lhes dar o teu supérfluo, mostrando um céu mais justo" (p. 77)

Lear (sobre Edgar, que se apresenta como mendingo louco): "O homem é apenas isto? Observem-no bem. Não deve a seda ao verme, a pele ao animal, a lã à ovelha, nem seu odor ao almiscareiro. (...) O homem, sem os artifícios da civilização, é só um pobre animal como tu, nu e bifurcado." (ps. 79 e 80)


Gloucester a Edgar (achando que ele é um louco andarilho): "Céus, fazei sempre assim! Fazei com que o homem rodeado do supérfluo e saturado dos prazeres, que põe as vossas leis a seu serviço, e não quer ver porque não sente, sinta imediatamente o vosso poder; assim a distribuição destruiría o excesso e cada homem teria o necessário." (ps. 97 e 98)

Albânia (para a esposa Goneril): "Eu temo o teu caráter; um ser que despreza a própria origem não pode ser contido em nenhum limite." (p. 99)
(...)
Albânia (idem): "Sabedoria e bondade aos vis parecem vis. A imundície adora-se a si própria."


Rei Lear e Gloucester, quando G. revela que ficou cego!

Lear: "Como, estás louco? Mesmo sem olhos um homem pode ver como anda o mundo. Olha com as orelhas. Vê como aquele juiz ofende aquele humilde ladrão. Escuta com o ouvido, troca os dois de lugar, como pedras nas mãos; qual o juiz, qual o ladrão? (p. 113)

Lear: Já viste um cão da roça ladrar prum miserável? (...) E o pobre diabo correr do vira-latas? Pois tens aí a imponente imagem da autoridade; até um vira-lata é obedecido quando ocupa um cargo." (p.113)
(...)
Lear: "Oficial velhaco, suspende a tua mão ensangüentada! Por que chicoteias essa prostituta? Desnuda tuas próprias costas. Pois ardes de desejo de cometer com ela o ato pelo qual a chicoteias." (p.113)
(...)
Lear: "Cobre o crime com placas de ouro e, por mais forte que seja a lança da justiça, se quebra inofensiva. Um crime coberto de trapos a palha de um pigmeu o atravessa." (p. 113)


Lear (para Edgar):"Assim que nós nascemos, choramos por nos vermos neste imenso palco de loucos." (p. 114)


Edgar (para Edmundo): "Os deuses são justos, e nos castigam com nossos vícios mais doces." (p. 133, sobre o pai ter gerado um filho traidor a partir de um adultério)

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