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Referência:
AUSTEN, Jane. Orgulho e Preconceito. Tradução: Lúcio Cardoso. Coleção Grandes Sucessos. São Paulo: Abril Cultural, 1982.
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Comentário:
Muitos trabalhos me impedem de postar o que tenho lido e a pilha está aumentandooo! Mas o feriadão ajuda a tirar o atraso.
Mais sobre o livro, no post anterior: aqui!
Estou pensando em reorganizar os posts de O&P por temática... que tal?
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Trechos selecionados:
[O que está entre colchetes são explicações minhas!]
[No primeiro baile, Mr. Bingley insiste que Mr. darcy dance e sugere Lizzy Bennet como par. Sobre ela e em resposta:]
[MR. Darcy] - É tolerável, mas não tem beleza suficiente para tentar-me. Não estou disposto agora a dar atenção a moças que são desprezadas pelos outros homens. É melhor você voltar ao seu par e se deliciar com os sorrisos dela, pois está perdendo seu tempo comigo.
(pg. 15)
[a autora descrevendo as irmãs de Mr. Bingley]
"...tinham portanto as aptidões necessárias para pensar bem de si mesmas e mediocremente dos outros. Provinham de uma família respeitável do norte da Inglaterra, coisa que guardavam mais profundamente impressa em sua memória do que o fato de sua fortuna, bem como a do irmão, ter sido adquirida no comércio."
(pg. 19)
Obs: Não acrescentei vírgulas, deixei como está no livro.
[a autora descreve o que Mr. Darcy achava da irmã de Lizzy, Jane Bennet, pretendente do amigo, Mr. Bingley]
"Reconhecia que Miss Bennet era bonita, embora sorrisse demais."
(pg. 20)
[Ainda sobre o 1º baile... sobre as críticas de Mr. Darcy que Lizzy ouviu sem querer. Falam Mrs. Bennet, Lizzy e Miss. Charlotte Lucas]
- Se eu fosse você, Lizzy - disse a mãe -, na próxima vez me recusaria a dançar com ele.
- Creio que posso lhe prometer com segurança que nunca dançarei com ele.
- O orgulho dele não me ofende tanto - disse Miss Lucas - como o orgulho em geral, porque existe um motivo. Não é de admirar que um rapaz tão distinto, com familia, fortuna, tudo a seu favor, tenha de si mesmo uma alta opinião. Se posso exprimir-me assim, ele tem o direito de ser orgulhoso.
- Isto é bem verdade - replicou Elizabeth -, e eu perdoaria facilmente o seu orgulho se ele não tivesse mortificado o meu.
(pgs. 22 e 23)
[Miss Charlotte Lucas para Lizzy]
"... Existe tanta gratidão e vaidade em quase todas as afeições que é perigoso abandoná-las à sua sorte - todos podemos começar livremente, uma ligeira preferência é bastante natural, mas são poucos os que têm o coração bastante firme para amar sem receber alguma coisa em troica. Em noventa por cento dos casos, uma mulher deve mostrar mais afeição do que realmente sente.(...)"
(pgs. 24 e 25)
[a autora descrevendo a decisão das irmãs Jane e Lizzy bennet de irem embora da casa dos Bingley e voltarem para casa, pois Jane já estava melhor de saúde]
"A notícia arrancou muitos protestos de pura formalidade. E tanto insistiram para que as moças ficassem ao menos até o dia seguinte, que Jane cedeu. E a partida foi adiada para a manhã seguinte. Miss Bingley se arrependeu de ter feito semelhante proposta, pois o ciúme e a antipatia que tinha por uma das irmãs excedia muitíssimo a afeição que tinha pela outra."
(pg. 59)
[Mr. Bennet é chamado pela esposa para fazer a filha Lizzy mudar de idéia e aceitar o pedido de casamento do Mr. Collins, homem que pai e filha desprezavam]
"- Você está diante de uma alternativa difícil, Elizabeth. De hoje em diante você terá que se tornar uma estranha para um de seus pais. Sua mãe nunca mais olhará para você se não se casar com Mr. Collins. E eu nunca mais a verei se você se casar."
(pg. 106)
[a autora, sobre o momento que se seguiu à recusa de Lizzy à proposta de casamento de Mr. Collins]
"Enquanto isto, Mr. Collins meditava, na solidão, sobre o que tinha acontecido. Ele possuía uma opinião desmasiado alta de si mesmo para compreender o motivo por que a prima o recusava."
(pg. 107)
"-Então, Lizzy - disse ele um dia -, sua irmã teve um desgosto amoroso, creio eu. Ela merece meus parabéns. Depois do casamento, o que uma moça mais aprecia é um desgosto amoroso de vez em quando. É uma coisa que dá o que pensar e lhe confere uma espécie de distinção entre as companheiras. Quando chegará a sua vez? Você não há de querer ser suplantada por Jane. Chegou a sua hora. Há bastante oficias em Meryton, para desapontar todas as moças da região. Escolha Wickham. É um sujeito simpático e lhe daria o fora agradavelmente."
(pg. 129)
[Lady Catherine de Bourgh questionando Lizzy em um jantar em Rosings]
- O quê? As cincos de uma vez? É muito estranho. E você é apenas a segunda! As mais moças já frequentam a sociedade antes de as mais velhas se casarem! Suas outras irmãs são muito moças?
- A mais moça ainda não fez dezesseis anos. talvez seja um pouco cedo demais para fazer vida social. Mas realmente, minha senhora, acho que seria uma crueldade recusar-lhes a sua parte de distrações e sociedade só porque a mais velha não teve os meios ou a inclinação para se casar mais cedo. As mais moças têm os mesmos direitos aos prazeres da mocidade que as mais velhas. E trancá-las em casa creio que não seria um bom meio de promover a feição fraternal ou a delicadeza de sentimentos.
- Sob minha palavra - disse Lady Catherine -, você dá sua opinião muito decididamente para uma pessoa de tão pouco idade. Diga-me, quantos anos tem?
- Com três irmãs mais moças já crescidas - replicou Elizabeth -, Vossa Senhoria não pode esperar que eu lhe dê uma resposta.
Lady Catherine pareceu ficar atônita com a resposta e Elizabeth suspeitou que ela tinha sido a primeira pessoa que já ousara fazer pouco de uma tão pomposa impertinência.
- Você não pode ter mais de vinte anos, portanto não precisa esconder a idade.
- Ainda não fiz vinte e um anos."
(pgs. 153 e 154)
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7 de setembro de 2009
9 de agosto de 2009
Orgulho e Preconceito - Jane Austen - 1 de X
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Referência:
AUSTEN, Jane. Orgulho e Preconceito. Tradução: Lúcio Cardoso. Coleção Grandes Sucessos. São Paulo: Abril Cultural, 1982.
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Comentário:
Há um tempão sem postar, mas por boas causa: minha peça deste semestre e trabalhinhos extras.
Estou relendo O&P e notei que não tenho ainda Jane Austen na minha coleção! Então resolvi digitar algumas das minhas frases preferidas do Senhor Bennet, que é um dos meus personagens preferidos!
Ah! É tb minha homenagem ao dia dos pais!
CURIOSIDADES:
(1) Título original é "Pride and Prejudice".
(2) Há diversas adaptações audiovisuais. A mais recente (que eu conheço) é com Keira Knightley e Matthew MacFayden, dirigido por Joe Wright. Tem o mesmo nome do livro.
(3)Jane Austen escreveu apenas 6 livros (em português e na ordem de publicação): Razão e Sensibilidade, Orgulho e Preconceito, Mansfield Park (há uma adaptação para cinema que recebeu o nome de "Palácio das Ilusões"), Emma, A Abadia de Northanger e Persuasão.
(4) Na introdução do livro escrita pelo tradutor Lúcio Cardoso sobre a autora:
"O seu primeiro romance publicado foi Sense and Sensibility*, no ano de 1811. Antes, porém, com o título First Impressions, ela tinha oferecido aos editores a versão inicial de Orgulho e Preconceito. É claro que o original foi imediatamente recusado. Voltando ao silêncio do seu retiro primitivo, dividindo-se entre os seus piedosos exercícios de cristã convicta e as pequenas obrigações da existência burguesa a que se submetia, Jane Austen continua a trabalhar no romance recusado. No ano de 1813 aparece finalmente Orgulho e Preconceito, onde é minuciosamente estudada a sociedade daquele tempo, a mediocridade dos seus tipos, o ridículo dos seus hábitos, a vaidade e a tolice dos burgueses e nobres que o preconceito separava.
Rigorosamente construída, antes de mais nada essa obra era prodigiosa revelação do temperamento de uma romancista. Nada escapa ao seu lúdico olhar, nenhuma fraqueza, nenhum ridículo dessa gente que ela conhecia tão bem. (...) Orgulho e preconceito é sua obra-prima." (pgs. 5 e 6)
OBS:
"*Sense and Sensibility" é traduzido tanto como "Razão e Sensibilidade" quanto como "Razão e Sentimento".
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Personagens dos trechos selecionados:
Mr. Bennet é o pai das irmãs Bennet, entre as quais está a protagonista Elizabeth bennet.
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Trechos selecionados:
[O que está entre colchetes são explicações minhas!]
[sobre Mr. Bingley que chegará no povoado]
[MR. BENNET] - É casado ou solteiro?
[MRS. BENNET] - Oh, solteiro, naturalmente, meu caro. Solteiro e muito rico! Quatro ou cinco mil libras por ano. Que boa coisa para as nossas meninas, hem?
[MR. BENNET]- Como assim? De que modo pode isso afetá-las?
(pg. 7)
[MR. BENNET para MRS. BENNET]
- Está enganada, minha cara. Tenho muito respeito pelos seus nervos. São meus velhos amigos. Venho escutando você falar a respeito deles com grande consideração, pelo menos durante esses últimos vinte anos.
(pg. 9)
" [MRS. BENNET]- Não tussa desse modo, pelo amor de Deus, Kitty. Tenha um pouco de piedade dos meus nervos... Você os está dilacerando!
- Kitty não sabe tossir discretamente - disse o pai. - não tem noção do momento oportuno."
(pg. 10)
"- Espanta-me, meu caro - disse Mrs. Bennet - a facilidade com que você diz que suas próprias filhas são tolas. Se quisesse menoscabar os filhos de alguma pessoa, decerto não escolheria os meus.
- Se minhas filhas são tolas, espero nunca me iludir a este respeito."
(pg. 32)
"- Bem, minha cara mulher - disse Mr. Bennet, depois que Elizabeth acabou de ler o bilhete em voz alta -, se a sua filha caísse gravemente doente, se ela morresse, seria um conforto saber que foi tudo para conquistar Mr. Bingley e por ordem sua."
(pg. 34)
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Referência:
AUSTEN, Jane. Orgulho e Preconceito. Tradução: Lúcio Cardoso. Coleção Grandes Sucessos. São Paulo: Abril Cultural, 1982.
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Comentário:
Há um tempão sem postar, mas por boas causa: minha peça deste semestre e trabalhinhos extras.
Estou relendo O&P e notei que não tenho ainda Jane Austen na minha coleção! Então resolvi digitar algumas das minhas frases preferidas do Senhor Bennet, que é um dos meus personagens preferidos!
Ah! É tb minha homenagem ao dia dos pais!
CURIOSIDADES:
(1) Título original é "Pride and Prejudice".
(2) Há diversas adaptações audiovisuais. A mais recente (que eu conheço) é com Keira Knightley e Matthew MacFayden, dirigido por Joe Wright. Tem o mesmo nome do livro.
(3)Jane Austen escreveu apenas 6 livros (em português e na ordem de publicação): Razão e Sensibilidade, Orgulho e Preconceito, Mansfield Park (há uma adaptação para cinema que recebeu o nome de "Palácio das Ilusões"), Emma, A Abadia de Northanger e Persuasão.
(4) Na introdução do livro escrita pelo tradutor Lúcio Cardoso sobre a autora:
"O seu primeiro romance publicado foi Sense and Sensibility*, no ano de 1811. Antes, porém, com o título First Impressions, ela tinha oferecido aos editores a versão inicial de Orgulho e Preconceito. É claro que o original foi imediatamente recusado. Voltando ao silêncio do seu retiro primitivo, dividindo-se entre os seus piedosos exercícios de cristã convicta e as pequenas obrigações da existência burguesa a que se submetia, Jane Austen continua a trabalhar no romance recusado. No ano de 1813 aparece finalmente Orgulho e Preconceito, onde é minuciosamente estudada a sociedade daquele tempo, a mediocridade dos seus tipos, o ridículo dos seus hábitos, a vaidade e a tolice dos burgueses e nobres que o preconceito separava.
Rigorosamente construída, antes de mais nada essa obra era prodigiosa revelação do temperamento de uma romancista. Nada escapa ao seu lúdico olhar, nenhuma fraqueza, nenhum ridículo dessa gente que ela conhecia tão bem. (...) Orgulho e preconceito é sua obra-prima." (pgs. 5 e 6)
OBS:
"*Sense and Sensibility" é traduzido tanto como "Razão e Sensibilidade" quanto como "Razão e Sentimento".
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Personagens dos trechos selecionados:
Mr. Bennet é o pai das irmãs Bennet, entre as quais está a protagonista Elizabeth bennet.
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Trechos selecionados:
[O que está entre colchetes são explicações minhas!]
[sobre Mr. Bingley que chegará no povoado]
[MR. BENNET] - É casado ou solteiro?
[MRS. BENNET] - Oh, solteiro, naturalmente, meu caro. Solteiro e muito rico! Quatro ou cinco mil libras por ano. Que boa coisa para as nossas meninas, hem?
[MR. BENNET]- Como assim? De que modo pode isso afetá-las?
(pg. 7)
[MR. BENNET para MRS. BENNET]
- Está enganada, minha cara. Tenho muito respeito pelos seus nervos. São meus velhos amigos. Venho escutando você falar a respeito deles com grande consideração, pelo menos durante esses últimos vinte anos.
(pg. 9)
" [MRS. BENNET]- Não tussa desse modo, pelo amor de Deus, Kitty. Tenha um pouco de piedade dos meus nervos... Você os está dilacerando!
- Kitty não sabe tossir discretamente - disse o pai. - não tem noção do momento oportuno."
(pg. 10)
"- Espanta-me, meu caro - disse Mrs. Bennet - a facilidade com que você diz que suas próprias filhas são tolas. Se quisesse menoscabar os filhos de alguma pessoa, decerto não escolheria os meus.
- Se minhas filhas são tolas, espero nunca me iludir a este respeito."
(pg. 32)
"- Bem, minha cara mulher - disse Mr. Bennet, depois que Elizabeth acabou de ler o bilhete em voz alta -, se a sua filha caísse gravemente doente, se ela morresse, seria um conforto saber que foi tudo para conquistar Mr. Bingley e por ordem sua."
(pg. 34)
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25 de junho de 2009
Tartufo - Molière
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Referência:
Molière. Tartufo. Tradução: Jacy Monteiro. São Paulo: Abril Cultural, 1983.
ATENÇÃO! Este mesmo livro também contém as obras "Escola de Mulheres", trad. Millôr Fernandes (é a mesma obra, mas não é a mesma referência do post anterior), e "O Burguês Fidalgo", trad. de Octavio Mendes Cajado.
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Comentário:
Apesar do alarde, nem achei a melhor obra de Molière até agora (das que li). Por enquanto, é a mais crítica de forma evidente (acho que todas são críticas, mas algumas são mais debochadas... achei essa quase didática).
Este livro foi traduzido do original em francês, cujo título é " Le Tartuffe" (é de1664)e o nome verdadeiro de Molière era Jean-Baptiste Poquelin (1622-1672).
Possui notas - muito interessantes - de Robert Jouanny para a edição francesa de Éditions Garnier Frères.
CURIOSIDADES:
(1) Nas minhas aulas de teatro, soube que "Tartufo" foi censurada e por 6 anos não pôde ser encenada. Molière, que tinha formação como advogado, defendeu sua obra alegando que ela não criticava a fé, mas os maus religiosos. Mas a obra só foi "liberada" depois que ele mudou o final, introduziu o personagem "Senhor Leal" e mostrou o Rei(Luís XIV) como soberano justo que desmascara as falsidades.
(2) No livro "Mestres do Teatro I", John Gassner conta que Tartufo foi proibido pelo rei e que, após essa censura, Molière escreveu Don Juan, dando vida a uma "lenda" que existia desde a Idade Média. Ele faz considerações sobre a época:
"A França era varrida por uma reação contra a crescente vaga de ceticismo religiosos e científico. O pensamento liberal era denunciado pelas seitas religiosas, entre as quais as mais ativas eram os Jesuítas e os Janenistas. A devoção se transformava em moda e nem todas as suas manifestações eram desinteressadas e sinceras. (...) Custou ao autor ser acusado de ateu por aqueles cujas sensibilidades haviam sido ofendidas. (...) Insistiu que não havia atacado a religião e sim a forma pela qual podia ser usada para disfarçar o interesse próprio."
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Personagens dos trechos selecionados:
Orgon é o chefe de família que recebe Tartufo como hóspede em sua casa e fica cego com suas evocações religiosas.
Mariane é filha de Orgon.
Dorine é dama de companhia de Mariane, filha de Orgon.
Cléante é cunhado de Orgon.
Valère é o pretendente de Mariane.
Elmire é a segunda mulher de Orgon (ele é viúvo e bem mais velho que ela) e madrasta de Mariane e Damis.
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Trechos selecionados:
DORINE:
[para Senhora Pernelle, mãe de Orgon, sobre uma dama conhecida que ela cita]
"O exemplo é admirável e esta dama é boa! É verdade que vive como pessoa austera, mas foi a idade que lhe meteu na alma esse zelo ardente e sabe-se que é pudica contra a própria vontade. Enquanto pôde atrair as homenagens de muitos corações, gozou de todas as vantagens de que dispunha; vendo, porém, diminuir o brilho de seus olhos, propõe-se renunciar ao mundo que a abandona, mascarando a debilidade de seus atrativos já gastos com o véu pomposo de uma grande sabedoria. São essas as vicissitudes das coquetes do tempo. Para elas é duro ver os galantes baterem em retirada. Em tal abandono, a sombria inquietação não lhes concede outro recurso senão o de representar o papel de mulher pudica; e a severidade dessas mulheres de bem tudo censura e nada perdoa; censuram acerbamente a vida de qualquer um, não por caridade mas impelidas pela inveja, que não poderia permitir que outra gozasse dos prazeres, cujos desejos o declínio da idade já extinguiu."
(pgs. 17 e 18)
CLÉANTE:
[para Orgon, sobre os bons e honestos devotos]
"(...) neles não se vê esse fasto insuportável e a devoção deles é humana, é tratável; não se metem a censurar-nos todas as ações. Acham que é orgulho demasiado corrigir a todos e abandonando aos outros a arrogância das palavras, é com suas ações que procuram corrigir as nossas. Para eles a aparência do mal não tem grande importância e são levados sempre a pensar bem do próximo. Nada de intrigas, nada de conluios com eles. Sua única preocupação é procurar viver bem; nunca se escarniçam contra um pecador qualquer; odeiam somente o pecado e não pretendem esposar, com zelo extremo, os interesses do Céu mais do que o próprio Céu.(...)"
(pgs. 30 e 31)
DORINE:
[para Orgon, sobre ele querer forçar a filha a casar-se com Tartufo]
"(...) Saiba que se arrisca a virtude de uma moça quando se lhe contraria o gosto no casamento; que a intenção de viver honestamente depende das qualidades do marido que se lhe dá; e aqueles que, em toda parte, são apontados com o dedo, muitas vezes fazem das próprias mulheres o que elas são."
(pg. 42)
VALÈRE:
[para Mariane, achando que ela queria trocá-lo por Tartufo]
"(...) Coração que nos esquece nos lança um desafio e é preciso, para esquecê-lo, usar de todos os meios: se não se conseguir, deve-se pelo menos fingir. E não se perdoa nunca a covardia de demonstrar amor a quem nos abandona."
(pg. 59)
TARTUFO:
[para Elmire, quando ela finge gostar dele para desmascará-lo]
"Posso dissipar-lhe esses temores ridículos, minha senhora, pois conheço a arte de afastar os escrúpulos. De fato, o Céu proíbe certos contentamentos;(é um celerado que fala)* mas sempre se acha uma maneira de acomodar; conforme necessidades diversas, existe uma ciência destinada a estender os liames de nossa consciência e retificar o mal da ação com a pureza da intenção.(...)"
*trata-se de uma rubrica de Molière.
(pg. 109)
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Referência:
Molière. Tartufo. Tradução: Jacy Monteiro. São Paulo: Abril Cultural, 1983.
ATENÇÃO! Este mesmo livro também contém as obras "Escola de Mulheres", trad. Millôr Fernandes (é a mesma obra, mas não é a mesma referência do post anterior), e "O Burguês Fidalgo", trad. de Octavio Mendes Cajado.
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Comentário:
Apesar do alarde, nem achei a melhor obra de Molière até agora (das que li). Por enquanto, é a mais crítica de forma evidente (acho que todas são críticas, mas algumas são mais debochadas... achei essa quase didática).
Este livro foi traduzido do original em francês, cujo título é " Le Tartuffe" (é de1664)e o nome verdadeiro de Molière era Jean-Baptiste Poquelin (1622-1672).
Possui notas - muito interessantes - de Robert Jouanny para a edição francesa de Éditions Garnier Frères.
CURIOSIDADES:
(1) Nas minhas aulas de teatro, soube que "Tartufo" foi censurada e por 6 anos não pôde ser encenada. Molière, que tinha formação como advogado, defendeu sua obra alegando que ela não criticava a fé, mas os maus religiosos. Mas a obra só foi "liberada" depois que ele mudou o final, introduziu o personagem "Senhor Leal" e mostrou o Rei(Luís XIV) como soberano justo que desmascara as falsidades.
(2) No livro "Mestres do Teatro I", John Gassner conta que Tartufo foi proibido pelo rei e que, após essa censura, Molière escreveu Don Juan, dando vida a uma "lenda" que existia desde a Idade Média. Ele faz considerações sobre a época:
"A França era varrida por uma reação contra a crescente vaga de ceticismo religiosos e científico. O pensamento liberal era denunciado pelas seitas religiosas, entre as quais as mais ativas eram os Jesuítas e os Janenistas. A devoção se transformava em moda e nem todas as suas manifestações eram desinteressadas e sinceras. (...) Custou ao autor ser acusado de ateu por aqueles cujas sensibilidades haviam sido ofendidas. (...) Insistiu que não havia atacado a religião e sim a forma pela qual podia ser usada para disfarçar o interesse próprio."
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Personagens dos trechos selecionados:
Orgon é o chefe de família que recebe Tartufo como hóspede em sua casa e fica cego com suas evocações religiosas.
Mariane é filha de Orgon.
Dorine é dama de companhia de Mariane, filha de Orgon.
Cléante é cunhado de Orgon.
Valère é o pretendente de Mariane.
Elmire é a segunda mulher de Orgon (ele é viúvo e bem mais velho que ela) e madrasta de Mariane e Damis.
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Trechos selecionados:
DORINE:
[para Senhora Pernelle, mãe de Orgon, sobre uma dama conhecida que ela cita]
"O exemplo é admirável e esta dama é boa! É verdade que vive como pessoa austera, mas foi a idade que lhe meteu na alma esse zelo ardente e sabe-se que é pudica contra a própria vontade. Enquanto pôde atrair as homenagens de muitos corações, gozou de todas as vantagens de que dispunha; vendo, porém, diminuir o brilho de seus olhos, propõe-se renunciar ao mundo que a abandona, mascarando a debilidade de seus atrativos já gastos com o véu pomposo de uma grande sabedoria. São essas as vicissitudes das coquetes do tempo. Para elas é duro ver os galantes baterem em retirada. Em tal abandono, a sombria inquietação não lhes concede outro recurso senão o de representar o papel de mulher pudica; e a severidade dessas mulheres de bem tudo censura e nada perdoa; censuram acerbamente a vida de qualquer um, não por caridade mas impelidas pela inveja, que não poderia permitir que outra gozasse dos prazeres, cujos desejos o declínio da idade já extinguiu."
(pgs. 17 e 18)
CLÉANTE:
[para Orgon, sobre os bons e honestos devotos]
"(...) neles não se vê esse fasto insuportável e a devoção deles é humana, é tratável; não se metem a censurar-nos todas as ações. Acham que é orgulho demasiado corrigir a todos e abandonando aos outros a arrogância das palavras, é com suas ações que procuram corrigir as nossas. Para eles a aparência do mal não tem grande importância e são levados sempre a pensar bem do próximo. Nada de intrigas, nada de conluios com eles. Sua única preocupação é procurar viver bem; nunca se escarniçam contra um pecador qualquer; odeiam somente o pecado e não pretendem esposar, com zelo extremo, os interesses do Céu mais do que o próprio Céu.(...)"
(pgs. 30 e 31)
DORINE:
[para Orgon, sobre ele querer forçar a filha a casar-se com Tartufo]
"(...) Saiba que se arrisca a virtude de uma moça quando se lhe contraria o gosto no casamento; que a intenção de viver honestamente depende das qualidades do marido que se lhe dá; e aqueles que, em toda parte, são apontados com o dedo, muitas vezes fazem das próprias mulheres o que elas são."
(pg. 42)
VALÈRE:
[para Mariane, achando que ela queria trocá-lo por Tartufo]
"(...) Coração que nos esquece nos lança um desafio e é preciso, para esquecê-lo, usar de todos os meios: se não se conseguir, deve-se pelo menos fingir. E não se perdoa nunca a covardia de demonstrar amor a quem nos abandona."
(pg. 59)
TARTUFO:
[para Elmire, quando ela finge gostar dele para desmascará-lo]
"Posso dissipar-lhe esses temores ridículos, minha senhora, pois conheço a arte de afastar os escrúpulos. De fato, o Céu proíbe certos contentamentos;(é um celerado que fala)* mas sempre se acha uma maneira de acomodar; conforme necessidades diversas, existe uma ciência destinada a estender os liames de nossa consciência e retificar o mal da ação com a pureza da intenção.(...)"
*trata-se de uma rubrica de Molière.
(pg. 109)
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